Alfabetização x Letramento, sob o ponto de vista de Magda Soares
A autora Magda Soares em seu artigo “Alfab
etização
e Letramento, as muitas facetas” vem fazer um entrelaçamento entre outro texto
lançado há quase 20 anos “As muitas facetas da Alfabetização”, pois acredita
que as questões ali anunciadas continuam atuais e grande parte dos problemas ainda
sem solução, para isso a autora faz de forma implícita a relação entre
letramento e alfabetização.
O termo letramento surgiu no Brasil em meados dos anos
de 1980, com o objetivo de reconhecer e nomear práticas sociais de leitura e
de escrita mais avançadas e complexas que as práticas do ler e do escrever.
Antes do censo de 1940, o que definia um sujeito alfabetizado era o que
declarasse saber ler e escrever mesmo que fosse o trivial. Após esse período
algumas mudanças aconteceram no conceito de alfabetização, que para o indivíduo
ser considerado alfabetizado ele tinha que além de ler e escrever, saber fazer
uso da leitura e da escrita, tendo aí uma progressiva, mas bastante cautelosa
extensão do conceito de alfabetização em direção ao conceito de letramento.
Outro problema que a autora
trata em seu artigo é a implantação do sistema de ciclos, que pode trazer – e
tem trazido – uma diluição ou uma preterição de metas e objetivos a serem
atingidos gradativamente ao longo do processo de escolarização; o princípio da progressão
continuada, que, mal concebido e mal aplicado, pode resultar em descompromisso
com o desenvolvimento gradual e sistemático de habilidades,competências,
conhecimentos.Para a autora esse
sistema de ciclos pode ser uma das causas do fracasso escolar.
Para finalizar, Magda Soares
expõe algumas sínteses, em que aponta problemas que a educação ainda precisa
corrigir. Em primeiro lugar, a necessidade de reconhecimento da especificidade da
alfabetização, entendida como processo de aquisição e apropriação do sistema da
escrita, alfabético e ortográfico; em segundo lugar, e, como decorrência, a
importância de que a alfabetização se desenvolva num contexto de letramento. Em
terceiro lugar, o reconhecimento de que tanto a alfabetização quanto o
letramento têm diferentes dimensões, ou facetas, a natureza de cada uma delas
demanda uma metodologia diferente, de modo que a aprendizagem inicial da língua
escrita exige múltiplas metodologias, algumas caracterizadas por ensino direto,
explícito e sistemático. Em quarto lugar, a necessidade de rever e reformular a
formação dos professores das séries iniciais do ensino fundamental, de modo a
torná-los capazes de enfrentar o grave e reiterado fracasso escolar na aprendizagem
inicial da língua escrita nas escolas brasileiras.
Referência:
SOARES, Magda Becker. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Minas Gerais: 2003. Disponível em . www.scielo.br/pbf/rbedu/n25/n25a01.pdf/ Acesso em 24 abr. 2013.